380 KM percorridos de Bike, no Deserto do Atacama (Chile)

Em busca de desafios diferenciados (e põe diferenciado nisso), quatros amigos apaixonados por bike, resolveram testar seus limites no Deserto mais seco, alto e árido do Mundo, o ATACAMA, localizado no norte do Chile. Foram cerca de 400 KM pedalados durante quatro dias. 

Leia nossa matéria e confira algumas dicas e segredos sobre esta aventura!

Um trajeto de mais ou menos 100 KM de asfalto, que era para durar umas três horinhas de pedal, levou OITO. Nos primeiros minutos o clima era de muito frio. Depois veio o sol. Temperaturas altíssimas fizeram os quatros “bikers” sentirem na pele os sintomas de se pedalar no deserto mais árido do mundo.

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Quatros bikers e três cachorros

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Após algumas horas, a altitude começou a se manifestar no corpo de cada um: fadiga, dor de cabeça, tontura, falta de oxigênio. Uns se renderam e vieram para dentro do carro comigo, outros resistiram. Pneu furou. Troca. Pára pra fazer a foto. Um deles cortou o dedo. Sangue. Água. Muita água. A estas horas já estávamos a uns 3.200 metros acima do nível do mar. Cachorros nos acompanham. Desistem. E olha que eles conhecem bem esse Deserto, muito melhor que nós.

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Parada pra foto

Mas ninguém queria desistir. Foram alguns meses de preparo e já se viam algumas placas “San Pedro de Atama a 60 KM”.

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“Vamos galera, daqui a pouco chegamos na metade do caminho”. Veio a hora do almoço. Eu, que estava dentro do carro, improvisei com algumas torradas. Eles, “almoçaram” proteínas e cereais em gel. 50 KM. “Ufa! Chegamos na metade do caminho”. Isto já passava das 14 horas e nem sinal de descida.

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Rogerio, Eduardo, Du Bike e Paulo. Troller e bikes

Foram uns 70 Km, só de subida. Eles estavam exaustos. Uns mais e outros menos. Eu não os reconhecia. Logo eles, que são acostumados com pedaladas a longas distancias e inclusive, alguns já competiram em importantes provas de bike. Estavam ali, implorando por energia para cumprir o trajeto. Quando o sol se pos, e lá na frente se via um indício de descida, foi então que caiu o maior temporal, acompanhado por chuva de granizo. Não havia lugar para se abrigar. “Minha nossa! Que deserto é esse?”, eu pensava comigo. Frio, sol, chuva, granizo, tudo isto em algumas horas.

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Até eu me arrisquei num pedal

O caminho entre as cidades CALAMA (município onde tem aeroporto) e SAN PEDRO DE ATACAMA totaliza em uns 100 KM. E estas são algumas das impressões que tive ao percorrê-lo, dentro de um TROLLER, fazendo o apoio de quatro bikers brasileiros, entre eles o Rogerio Coelho, do Aventura Catarina.

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A alegria da descida

Este texto serve para mostrar as inúmeras diferenças entre um pedal no Brasil e no Deserto do Atacama (Chile). Não só pelo clima seco, mas pela alteração de clima e pela altitude. Esta viagem ocorreu entre os dias 22 a 27 de março de 2015.

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Eu (Karoline Gonçalves) e o Rogerio Coelho já estávamos no Chile e pegamos nossos três amigos, Du Bike, Eduardo e Paulo, em Calama (Chile), no dia 22 de março para iniciar a aventura de bicicleta pelo deserto. Eles levaram suas bicicletas do Brasil, para pedalar no Chile.

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Tinha gente que não se aguentava em pé

COMO FOI NOSSA ROTINA NO DESERTO?

Assim como maioria dos visitantes, que se hospedam em San Pedro, nós passávamos o dia todo explorando as redondezas e à noite curtíamos a cidade ou descansávamos. Acordávamos cedo e íamos visitar as atrações aos redores do povoado, algumas delas estão a 10 KM, 20 KM (laguna cejar), 40KM (olhos de sal), 50KM, 60KM ou até 130 KM (Salar de Tara). No nosso caso, exploramos as redondezas de San Pedro, de bike.

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A gente fez todos os passeios por conta própria. Mapeamos as coordenadas geográficas de cada ponto turístico e as inserimos no GPS. Com isso, pudemos explorar todas as atrações sem problemas com localização, já que no Atacama existem poucas placas de indicação. É bom ir preparado, ou contratar agencias.

CONFIRA NOSSO ROTEIRO DE BIKE:

1º DIA:

Dia de pedalar! Neste dias fizemos um pedal entre CALAMA a San Pedro. Foram em torno de 100 KM pedalados em oito horas. Se fosse no Brasil este percurso seria de 3 horas, mas como estávamos a mais de 3 mil metros de altitude, faltou ar e fôlego, galera. Não é fácil.

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2º DIA:

Garganta do Diabo, Túnel abandonado, Ruínas de Pukara de Quitor e Capela Santo Isidoro.

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3º DIA:

Laguna Cejar, Ojos Del Salar e Povoado Tokanao (quebradas de jere).

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4º DIA:

Geiseres Del Tatio e Termas Puritama – NESTE DIA NÃO TEVE PEDAL POR CONTA DA NEVE

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5º DIA:

Vale de La Luna e Vale de La Muerte

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Aqui estão os relatos de cada um, que se aventurou a explorar o ATACAMA sob duas rodas:

DEPOIMENTO EDUARDO ROSSI:

Pedalar no Atacama foi fantástico, você se vê dentro de um filme e a cada km pedalado, você tem uma paisagem diferente… Mesmo sendo um deserto, a paisagem nunca é a mesma.

Eu li muitas coisas antes da viagem e, muitas informações negativas a respeito da altitude, do calor, das subidas… Isso tudo é verdade, porém quem vai pedalar no Atacama não pode esperar que seja a mesma coisa que pedalar na praça da sua cidade.

Mas também posso dizer que as paisagens são tão lindas que não irá faltar motivação para você concluir o trajeto. Lógico que é fundamental que você esteja preparado fisicamente, seja pra subir 60 km a 3.500 metros de altitude, onde vai faltar o ar, você vai sentir dor cabeça, se sentir cansado ao extremo, como também para descer 40 km sem parar (a uma velocidade média de 60km/h).

Tem que estar preparado para tudo…chuva…sol…neve…frio…calor…..mas a sensação de pedalar no Atacama é única e indescritível! Vale muito apena…

Quanto a parte técnica:

Para pedalar no Deserto, é necessário usar um pneu misto na bike. Porque você irá percorrer grandes trechos de asfalto, porém quando você entrar em estrada de terra o terreno é bem arenoso, então, tente achar um pneu q sirva para areia mas que não pese muito no asfalto.

DICAS

Você pode locar boas bikes por lá, porém o custo não é muito acessível. Então se você for pedalar por muitos dias, vale apena levar sua bike.

No Atacama não tem onde você se esconder do sol, então leve muito protetor solar, roupas leves e de preferência compridas.

Água e repositores energéticos são muito importantes.

Em resumo… você não precisa ser um super atleta para pedalar no Atacama, basta só tomar alguns cuidados e se preparar um pouco antes da viagem.  Vale muito apena!

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DEPOIMENTO PAULO ROBERTO DELFINO:

Viajar ao deserto do Atacama foi realizar um sonho que parecia ser inatingível, mas que se tornou realidade graças a loucura compartilhada entre cinco amigos, todos, apaixonados por aventuras, adrenalina e pedal.

Apesar de eu já ter experiência em longas pedaladas senti inúmeras sensações que nunca havia experimentado antes. Senti na pele, cada sintoma da altitude. O deserto nos coloca em nosso lugar. Foi o lugar perfeito para testar os meus próprios limites.

A paisagem se modifica a cada km! A imagem das montanhas ao longe com seus picos nevados, no meio da aridez do deserto é algo surreal, é algo que hipnotiza. A começar pelo nosso primeiro pedal. Foram 100 km numa estrada perfeita, de uma reta interminável. Cerca de uns 70km subida e uns 30 de descidas ate chegar a San Pedro de Atacama.

Ate os cachorros do Atacama são uma atração a parte. Ir para o Deserto é uma aventura que precisa de um bom planejamento, disposição, preparo físico. Importante levar proteínas e sais em gel.

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DEPOIMENTO DU BIKE (ALDORI):

Pedalar no Atacama é uma experiência sem igual, não tem como descrever. Só quem já pedalou lá pra saber do que estamos falando. É algo surreal. Foi incrível a nossa experiência. Foi uma aventura muito segura, com o apoio de um carro, sempre ao nosso lado, prestando toda a assistência necessária.

Uma viagem que deve ser feita com toda segurança e cuidados com os equipamentos. Importante usar equipamentos de qualidade. Na nossa aventura usamos mountain bike que é o ideal para terrenos. Vale dizer, que as dificuldades ficam bem menores com a recompensa das belezas do lugar.

DICAS

Importante levar muita água e treinar antes de encarar as altitudes do deserto. E apesar de treinar, eu tive fortes dores de cabeça e mal estar após os 60 km de subida (primeiro dia de pedal). Nos outros dias estávamos mais acostumados com as altitudes e conseguimos aproveitar melhor os pedais, mas sempre só respirando pela boca.

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DEPOIMENTO ROGERIO COELHO:

Como eu fui de carro para o Chile, já estava mais habituado com a altitude e, por isso, no primeiro dia de pedal não senti tanto. Mas mesmo assim, sentia minha boca muito seca e muito sol, apesar de alguns momentos estar fresco. Tanto que minhas pernas estão queimadas até hoje. Eu acabei levando uma bicicleta do Brasil, mas confesso que me arrependi. Como eu não pedalei tanto quanto os outros, fiquei mais preocupado com o carro e o apoio, acho que teria sido melhor ter alugado uma bicicleta lá. Pois percorremos, de carro, mais de 7 mil KM com ela dentro do Troller, e todo este esforço para percorrer uns 200 km de pedal. Ou seja, pra mim não foi vantajoso. Para eles sim, porque foram de avião. Bom, o quesito mais importante que deve ser levado em conta na hora de fazer uma viagem neste estilo, é a segurança. Não dá para entrar areia adentro sem um bom apoio, como um carro ao lado, por exemplo. Porque como já foi dito, o Deserto é imprevisível, ora chove, faz sol e ora faz frio e cai granizo. Não dá pra confiar. Então tem que estar preparado.

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CONFIRA NOSSA GALERIA DE IMAGENS:

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